sábado, janeiro 08, 2005

Aljustrel: Jogadores chegam a gastar 500 euros numa noite!

JOGO ILEGAL ARRUÍNA FAMÍLIAS

Algumas famílias residentes na vila de Aljustrel, Baixo Alentejo, estão a viver uma situação dramática devido à prática do jogo ilegal em estabelecimentos comerciais por parte de alguns dos elementos do agregado familiar, sobretudo os homens. É que estes jogadores, segundo a GNR local, “chegam a gastar 500 euros numa só noite nas máquinas de poker e em outras de jogos de fortuna ou azar”, prejudicando desta forma todos os familiares directos, que de um dia para o outro ficam sem dinheiro para comer.

“É um problema social bastante grave que afecta particularmente as famílias de baixos rendimentos. Cada aposta vale 50 cêntimos e os homens, nomeadamente aqueles que têm entre 30 a 50 anos, gastam numa noite o rendimento de um mês. Quando se acaba o dinheiro os filhos ficam sem comer, começam a beber álcool e, por vezes, até batem nas mulheres. Temos conhecimento de algumas crianças que chegam à escola sem tomar o pequeno-almoço porque este tipo de jogo leva todo o dinheiro aos pais”, frisou ao Correio da Manhã o comandante do Destacamento Territorial da GNR de Aljustrel, tenente André Santos.
O acumular das dívidas no seio destas famílias e o aumento das queixas anónimas junto das autoridades, algumas delas em total desespero, levou a GNR, em colaboração com a Inspecção-Geral de Jogos, a montar uma operação de combate ao jogo ilegal, que decorreu ontem em diversos cafés, sociedades e clubes no concelho de Aljustrel.
“Sem máquinas não há vícios e deixam também de existir as comissões entre os proprietários das máquinas de jogo ilegal e dos cafés, bem como os lucros, que nesta actividade fogem ao pagamento dos impostos”, sublinhou o mesmo responsável.
‘PRÉMIO SUJO’
Durante a operação, denominada ‘Prémio Sujo’, foram apreendidas nos 14 estabelecimentos comerciais fiscalizados um total de duas máquinas de jogos vídeo, duas máquinas de poker, 22 máquinas de ovos e berlindes, 1185 euros em dinheiro e vários objectos utilizados como brindes, dos quais se destacam diversas armas brancas (facas e navalhas), uma espingarda de pressão de ar, dois presuntos, máquinas fotográficas e um cabaz de Natal. Segundo o tenente André Santos, duas dezenas de pessoas, entre proprietários e funcionários dos estabelecimentos, foram constituídas arguidas e serão ouvidas durante o dia de hoje pela GNR de Aljustrel.
ALIMENTOS DOADOS
Os alimentos e as armas brancas que na operação de ontem foram apreendidos pela GNR vão ser entregues à Santa Casa da Misericórdia de Aljustrel, garantiu o tenente André Santos. “Os chocolates, os presuntos, o cabaz de Natal e os outros alimentos que serviam de prémio ao jogo ilegal, bem como os canivetes, as facas e as navalhas vão ser entregues e essa instituição. A Santa Casa poderá depois entregar estes produtos às escolas, aos lares ou a outras instituições”, acrescentou. Quanto ao dinheiro apreendido, este militar referiu que o mesmo será depositado num banco e que o tribunal decidirá, posteriormente, o seu destino. “Já tem entregado estas verbas à GNR, mas podem também ser revertidas a favor de campanhas de solidariedade”.
MEIOS
Na operação ‘Prémio Sujo’, estiveram envolvidos um Oficial, cinco Sargentos e 32 Soldados do Destacamento da GNR de Aljustrel, auxiliados por 14 viaturas e por quatro elementos da Inspecção-Geral de Jogos.
LOCAIS
Os militares da GNR fiscalizaram e apreenderam diverso material em estabelecimentos comerciais (cafés, clubes e sociedades) situados nas localidades de Aljustrel, Rio de Moinhos, Montes Velhos e Ervidel.
MATERIAL
Além das máquinas de jogo de fortuna ou azar foram apreendidos diversos brindes como chocolates, jogos infantis, canas de pesca, porta-chaves, máquinas de calcular, agendas, lanternas, relógios, entre outros.
in "Correio da Manha, 06-Jan-2005"