sábado, abril 09, 2005

Mina de Aljustrel retoma laboração

Realizou-se na terça­-feira, 5, em Aljustrel, uma sessão promovida pela administração da empresa Pirites Alentejanas, para apresentação pública do projecto de retoma da actividade na mina de Aljustrel. Participaram da reunião, entre outras entidades, o presidente da empresa, James Drake, e o presidente da Câmara de Aljustrel, José Godinho.
Foi, aliás, a autarquia que, logo na manhã seguinte, distribuiu pela população um comunicado sublinhando que "estão praticamente asseguradas as condições para que, finalmente, a exploração mineira possa ser retomada". Regozijando-se com o anúncio de uma decisão "da maior importância para o futuro de Aljustrel, pela qual nos vínhamos batendo desde o momento em que a mina suspendeu a sua actividade em 1993", o município felicita e homenageia os trabalhadores da Pirites e suas estruturas representativas, "que vêem assim coroada de êxito a persistente luta que travaram durante muitos anos".James Drake explicou que se prevê "um investimento de 100 milhões de dólares americanos" (cerca de 70 milhões de euros) no projecto de "pelo menos 10 anos".
A ideia é introduzir alterações na lavaria de Aljustrel, preparando-a para a produção, e, durante um ano, extrair sobretudo zinco, mas também chumbo e cobre, do filão do Moinho. Ao mesmo tempo, iniciar a preparação da exploração do filão de Feitais, ao longo de dois anos, abrindo-se cinco quilómetros de túneis. Para o relançamento da actividade, a juntar aos 70 trabalhadores actuais, prevê-se a admissão de mais 200 trabalhadores permanentes.
Segundo Drake, a aprovação deste projecto pela Eurozinc, o grupo que ficou com a Pirites Alentejanas, quando o Estado a privatizou totalmente, depende de três condições. A primeira, que o preço do zinco continue elevado no mercado mundial. A segunda, que sejam concluídas com êxito as negociações entre a Pirites e a Agência Portuguesa de Investimentos – "as conversações estão bem encaminhadas" –, no sentido de canalizar fundos comunitários e de outras origens. E a terceira, que haja um clima de "paz social" na empresa, durante cinco anos: "Necessitamos de ajuda e cooperação dos trabalhadores, através do sindicato. Oferecemos um aumento salarial de 15 por cento no arranque, mais um prémio de laboração se o preço do zinco metal se mantiver alto, mas precisamos que a mina, tal como a lavaria, labore sete dias por semana, embora ninguém trabalhe mais do que as 37,5 horas semanais".
Se se verificarem estas três condições, assegura James Drake, a Eurozinc deverá tomar uma decisão "no decorrer deste trimestre", isto é, o mais tardar até Junho.
Para além da Câmara de Aljustrel e do Sindicato Mineiro – ambos considerando o anúncio da eventual retoma como "histórico" –, também o PS de Aljustrel saudou a "nova" Pirites Alentejanas e o "projecto de refundação" das minas de Aljustrel, comprometendo-se "perante os munícipes a estar atento ao progresso da situação de salvaguarda dos interesses de Aljustrel".
"Dia histórico, sim senhor!"
Os trabalhadores da Pirites Alentejanas reuniram-se em plenário, em Aljustrel, na quarta-feira, 6, para analisar a proposta apresentada pela empresa, na véspera, tendo em vista o recomeço da exploração mineira.
Na resolução aprovada, intitulada "Dia histórico, sim senhor! Já não são só os trabalhadores que acreditam na retoma das Pirites", os mineiros congratulam-se com as perspectivas de retoma. Contudo, "não se conformam" com a falta de uma data concreta para o reinício da laboração, nem com o facto de que "apenas se fale em cerca de 200 admissões quando sempre se falou em 350".
Através do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira, os trabalhadores fizeram chegar à administração da empresa as suas contrapropostas, que vão da formação de mineiros ao "clima social" preconizado, passando pelo prémio de produção, pela actualização do salário base e por novos horários.
Carlos Formoso, presidente do STIM, mostra-se convencido de que "os termos e a disponibilidade expressos na resolução, particularmente quanto ao "clima social", são suficientes para que a administração antecipe e concretize a data para a retoma" da laboração. "Para que das entranhas da nossa terra os filões adormecidos sejam transformados em riqueza que reverta para o desenvolvimento económico e social da região e do País", preconiza.
Texto Carlos Lopes Pereira
08/04/2005 - 11h49